História
October 1st, 2009 Filed under: Uncategorized by adminAo longo do ano de 1970, à medida que nasceram e foram criadas as Brigadas Revolucionárias (BR) criou-se também o esboço duma organização política mais ampla que fosse para além das BR.
A estrutura que criou as BR e mais tarde o PRP tomou conta das instalações em Argel da Frente Portuguesa de Libertação Nacional (FPLN), incluindo a sua rádio, Voz da Liberdade. Por este motivo e antes da criação formal do PRP, este movimento foi por vezes designado de “Frente”.
Dezembro de 1971 – o documento Contribuição para um movimento revolucionário organizado dos trabalhadores portugueses, publicado um mês depois da primeira acção das BR, é o documento fundador do movimento que se viria a formalizar como PRP. (Documento do Partido Revolucionário do Proletariado Brigadas Revolucionárias, Edições Revolução, Lisboa, 1974).
A partir daí e definidas as grandes questões que podiam aglutinar os militantes formam-se núcleos de acção clandestina, de acção nas lutas de trabalhadores, nos sindicatos, nas organizações católicas. A orientação e organização caminham a par das BR.
Setembro de 1972 – Entrevista do “Camarada André” (Carlos Antunes”) à rádio Voz da Liberdade.
30 de Dezembro de 1972 – Militantes cristãos organizaram uma assembleia de protesto contra a guerra colonial, na Capela do Rato em Lisboa, que culminou numa greve de fome. Os militantes que tomaram a iniciativa e que fizeram a leitura da proclamação, aos quais se juntaram outros militantes cristãos no núcleo organizador, eram membros das BR. Na assembleia assistiam cristãos e não cristãos. Simultaneamente, através da comunicação ao exterior das BR era dado a conhecer ao estrangeiro o acontecimento e a proclamação com divulgação através de jornais, agências e instituições.
No dia seguinte as “Comissões de trabalhadores revolucionários” divulgaram o acontecimento através de petardos e um dia depois um novo documento denunciava as prisões que entretanto a PIDE desencadeara entre os grevistas.
Abril de 1973 – Divulgação do documento para uma Frente Revolucionária dos Trabalhadores Portugueses.
1º de Maio de 1973 – A par da sabotagem do Ministério das Corporações realizada pelas BR, militantes de todos os sectores espalharam 200 petardos por todo o país de Norte a Sul.
Setembro de 1973 – Congresso fundador do PRP-BR. Estiveram presentes delegados do Sector Operário, do Sector da Luta Legal, do Sector da Luta Armada, do Sector da Informação e do Sector da Emigração (relatórios dos sectores publicados em Documentos do PRPBR 1971-1974, edições Revolução, Lisboa, 1974).
Comunicado da criação do PRP, designação votada no Congresso. A Rádio Voz da Liberdade passou a ser designada por Voz da Revolução.
Novembro/Dezembro 1973 – vaga de prisões no PRP. Uma parte da estrutura passa à clandestinidade.
20 de Março de 1974 – último documento impresso na tipografia clandestina do PRP, situada na Maia, junto ao Porto. Chamava-se “organizemos um 1º de Maio de combate” e analisava as movimentações militares e as lutas operárias e estudantis.
25 de Abril de 1974 – O PRP passa à legalidade. As BR cessam as acções armadas. O PRP apela à organização autónoma dos trabalhadores. Passa a integrar-se nas lutas de bairro, de empresa e de rua.
12 de Maio de 1974 – Manifesto de análise à situação política.
24 de Maio de 1974 – Comício anti-colonial de unidade revolucionária no Coliseu dos Recreios.
25 de Maio de 1974 – Manifestação anti-colonial de unidade revolucionária no Rossio.
1 de Junho de 1974 – Publica-se o nº 1 do jornal Revolução, órgão do PRP-BR. Directora – Isabel do Carmo.
8 de Junho de 1974 – O PRP toma posição pública em defesa da libertação de Saldanha Sanches, director do “Luta Popular” órgão do MRPP.
Agosto de 1974 – II Congresso do PRP-BR.
No decurso de 1974 – O PRP e os seus núcleos de empresa integram-se nas lutas das empresas de que destacamos a Radiotelevisão Portuguesa, os CTT, a TAP, o Jornal do Comércio, Efacec, Standard Eléctrica, Timex, Lisnave, Sogantal, Charminha, Naturana, Propam .
28 de Setembro de 1974 – Integração na manifestação anti-fascista contra a “Maioria Silenciosa”
Outubro de 1974 - Manifesto “Fascismo ou Socialismo”.
26 de Outubro de 1974 – Uma só solução – Revolução Socialista.
Desenvolvimento da Campanha pela revolução socialista (cartazes de referência).
7 de Fevereiro de 1975 – Integração na grande manifestação anti-capitalista revolucionária que acabou em frente do Ministério do Trabalho.
Março de 1975 – O PRP integra as primeiras ocupações de terras.
11 de Março de 1975 – Tentativa e aproveitamento de golpe militar de direita. O PRP é visado.
Eleições para a Assembleia Constituinte – O PRP toma uma posição contra a realização de eleições.
Maio de 1975 – Ascensão dos conselhos revolucionários com integração de militantes do PRP.
Maio de 1975 – Apelo à luta pela independência de Timor-Leste.
22 de Maio de 1975 – Apoio à luta do MPLA em Angola e reprovação da FNLA e da UNITA; assinada conjuntamente por CIDAC, FSP, LCI, LUAR, MÊS e PRP-BR.
17 de Junho de 1975 – Grande manifestação dos Conselhos Revolucionários de operários, soldados e marinheiros (fotos). Integração dos militantes do PRP-BR.
Ocupação da Rádio Renascença pelo seu conselho de trabalhadores. Integração do PRP-BR.
3 de Julho de 1975 – Ocupação do jornal República pelo seu conselho de trabalhadores. Integração do PRP-BR.
1 de Agosto de 1975 – Resistência armada do PRP-BR na sede de São João da Madeira.
Elaboração e publicação do Documento do Copcon por militares e civis revolucionários que se contrapõe ao Documento dos Nove.
19 de Agosto 1975 – Grande manifestação de apoio ao Documento do Copcon. Integração do PRP-BR.
25 de Agosto 1975 – Constituição da Frente de Unidade Revolucionária (FUR) com os seguintes partidos ou organizações: PRP-BR, PCP, LCI, LUAR, 1º de Maio, Base-FUT (a 28 de Agosto o PCP abandonou a FUR).
27 de Agosto de 1975 – O PRP-BR integra a liderança da grande manifestação da FUR, que termina no Palácio de Belém.
4 de Setembro de 1975 – Militantes do PRP –BR estão na iniciativa da criação dos primeiros SUV, no Porto.
3 de Setembro de 1975 – Grande comício do PRP-BR no Pavilhão dos Desportos.
10 de Setembro de 1975 – Militantes do PRP-BR entre a liderança da manifestação dos SUV no Porto.
25 de Setembro de 1975 – Militantes do PRP-BR entre a liderança da manifestação dos SUV em Lisboa.
29 de Setembro de 1975 – Militantes do PRP-BR entre os conselhos que nas rádios e TV invertem o sentido da ocupação pela tropa. Isabel do Carmo parte do Palácio Foz e integra uma representação da FUR que vai falar com Pinheiro de Azevedo, Presidente da República interino (na delegação estão Afonso Barros e Augusto Mateus do MES).
7 de Outubro de 1975 – Militantes do PRP-BR estão na ocupação do RASP no Porto.
9 de Outubro de 1975 – Militantes do PRP-BR na manifestação dos SUV em Coimbra.
11 de Novembro de 1975 - Carlos Antunes é convidado e está presente na cerimónia de declaração de independência de Angola, em Luanda.
12 de Novembro de 1975 - Militantes do PRP-BR integram a manifestação da Construção Civil que acaba em São Bento.
25 de Novembro de 1975 – Golpe de direita que vinha sendo preparado desde Agosto. O PRP e o MES assinam comunicado conjunto na madrugada desse dia.
27 de Novembro de 1975 – O PRP apela à libertação dos militares revolucionários.
7 de Dezembro de 1975 - O PRP apela à libertação dos militares revolucionários e ao poder popular.
20 e 21 de Dezembro de 1975 - Um plenário de responsáveis do PRP reúne-se no Barreiro e emite um documento de análise da situação e apela à resistência e à luta.
Dezembro de 1975 – Isabel do Carmo, como directora do Revolução tem o primeiro processo por crime de imprensa após a constituição do 1º Governo que sucedeu ao golpe.
Início de 1976 - Desencadeiam-se processos contra Carlos Antunes e Isabel do Carmo nas estruturas militares.
1976-1977 – O PRP mantém a sua estrutura organizativa. Fazem-se grandes plenários em Setúbal, na Marinha Grande, em Viana do Castelo, em Faro e em Lisboa.
1978 - É constituída a Organização Unitária de Trabalhadores (OUT), integrando militantes do PRP.
Junho de 1978 – Uma onda de prisões leva para a cadeia militantes do PRP, entre eles Carlos Antunes, Isabel do Carmo, José Guedes, Fernanda Fráguas.
Dezembro de 1978 – Os presos do PRP manifestam-se contra o assassinato de um preso denunciante, praticado com o seu desconhecimento e à revelia dos métodos até aí defendidos. A fracção do PRP em liberdade “expulsa-os”.
Janeiro de 1979 – Início do julgamento de Carlos Antunes, Isabel do Carmo e Fernanda Fráguas. Condenações em 1ª instância a 15, 14 e 11 anos. Recurso.
Março/Abril de 1979 – Alguns militantes, da fracção do PRP que entrara em dissidência, integram com outras pessoas a criação das FP-25. Os presos manifestam o seu antagonismo.
Novembro de 1979 – Grande greve da fome de 30 dias pela aplicação da lei de Amnistia.
Ano de 1980 - São presos Amílcar Romano e Vitória Soares.
Julho de 1982 - Libertação dos últimos presos do PRP – Carlos Antunes, Isabel do Carmo e Fernanda Fráguas. A libertação é precedida de uma greve da fome de protesto contra o prolongamento da prisão preventiva – 4 anos.
Outubro de 1982 – Em plenário o PRP é dissolvido. Os militantes integram sucessivamente a convergência de Esquerda (com todos os partidos da esquerda revolucionária), a Comissão Pró-Amnistia de Otelo e seus companheiros e o Fórum Ecologista e Alternativo.
